HISTÓRICO

Nasci em Belo Horizonte, porém, passei minha infância em Mar de Espanha. Lá, desde bem pequena gostava de fazer bolos de barro, enfeitados com pétalas de flores. Desenhar, declamar e fazer parte de peças teatrais eram uma constante quando criança e adolescente.

Aos 29 anos iniciei a cerâmica com a vitrificação em baixa temperatura, mas logo que senti o "barro" voltei à minha infância. Comecei a amassá-lo e fiz um palhaço. Um palhaço que, com certeza, retratava minha alegria, me levava de volta à infância.

Nunca mais nos separamos. Nosso convívio é intenso. Nosso caminhar é amigo, inseparável, insuperável, fascinante e árduo. Árduo, não por ele, mas pelas pedras que encontramos em nosso caminho.

Caminhei em busca dele até bem longe: pelo Brasil, pela Argentina e até do outro lado do mundo - o
Japão. O que mais me fascina na cerâmica, além da busca da forma, é a busca das cores, a química dos óxidos, a magia das queimas.

Durante 10 anos queimei em baixa temperatura. Depois de dominá-la bem, busquei o incrível mundo da alta temperatura. Só então me senti verdadeiramente ceramista. Enquanto em baixa temperatura se encontra todo o material pronto e fácil, na alta é preciso um estudo aprofundado dos óxidos e sua química, um domínio absoluto do forno e suas atmosferas.

Abrir um forno e tirar um Sangue de Boi, um Celadon, um Tenmokú ou um Cristal é, para mim, uma curiosidade indescritível e um prazer sem limites.

Hoje posso dizer que domino bem estas e várias outras técnicas.